Bom dia!
A oposição deve votar a favor do fim da escala 6×1. Até a semana passada, tentava adiar a decisão para depois da eleição. Agora, aliados de Flávio avaliam que o desgaste de votar contra pode ser maior.
A mudança diz muito sobre esta reta final. Os candidatos precisam responder a preocupações concretas – trabalho, renda, segurança – enquanto suas campanhas disputam o que pode ser publicado, compartilhado ou retirado do ar.
Hoje, Kassio Nunes Marques reúne as equipes de Lula e Flávio. O TSE recebeu ao menos 85 ações com pedidos de remoção de conteúdo desde 5 de outubro, segundo o UOL. É muita energia empregada numa disputa sobre o que o eleitor pode ver. E pessoalmente eu tenho me preocupado com o que estamos fazendo com aquilo que vemos.
A política ficou pequena demais para o tamanho dos nossos problemas
A área técnica do TSE não encontrou conteúdos falsos na análise do “Exército do Lula” entre 2 e 11 de outubro. O canal tem mais de 3 milhões de inscritos e foi suspenso por Kassio, depois liberado pelo corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva.
A análise teve limites: mensagens antigas foram apagadas, e alguns vídeos não puderam ser transcritos por causa da urgência. Os técnicos também apontaram riscos na linguagem polarizadora, na atuação coordenada e no alcance das mensagens.
O canal continua proibido de reproduzir conteúdos já considerados falsos pelo tribunal. O plenário ainda não tem data para discutir o caso.
Ontem gravei um Treptow à Parte sobre isso, mas saiu mais como um desabafo. Tenho me incomodado com a facilidade com que as pessoas passaram a tratar umas às outras como burras por discordarem politicamente. Como se escolher outro candidato anulasse a capacidade de pensar de alguém.
E me incomoda ver uma (ou muitas) notícia(s) falsa(s) ser(em) defendida porque ajuda o lado de quem a compartilhou. A pessoa já nem quer saber se aconteceu. Quer que seja verdade. A discussão política empobreceu muito. Podemos cobrar propostas, apontar contradições, discutir crimes, decisões e responsabilidades. Temos assunto de sobra. Ainda assim, gastamos tempo humilhando pessoas e sustentando acusações que desmoronam quando alguém confere a origem.
Falei sobre essa preocupação no vídeo de ontem. Deixo o episódio aqui, porque esse assunto também diz respeito à forma como vamos conviver depois do dia 25.
Até o horário eleitoral entrou nessa confusão
A propaganda de Flávio foi exibida sem som na televisão nesta segunda-feira. Segundo o TSE, o problema ocorreu no processamento do material pelo grupo de emissoras responsável pela transmissão.
Abert e Astral afirmaram que receberam o arquivo da campanha em perfeitas condições. Os áudios dos dois candidatos não foram carregados no sistema, mas houve tempo para corrigir a falha antes do programa de Lula, que veio depois.
A propaganda de Flávio será reexibida em data a ser definida pela campanha.
É uma falha que precisa ser explicada e corrigida. A explicação técnica também precisa circular com o mesmo alcance das acusações feitas antes de ela aparecer.
Flávio quer colocar sua campanha na rua
Depois dos primeiros dias dedicados às negociações de apoio, a equipe de Flávio quer ampliar sua presença nas manifestações.
A aposta é o “Bloquinho 22”, organizado por Nikolas Ferreira: atos em 14 cidades de 11 estados, entre 15 e 24 de outubro. Flávio não estará em todos.
Aliados reconhecem que as imagens das manifestações pró-Lula impressionaram. Agora querem usar a popularidade de Nikolas para atrair jovens, mobilizar apoiadores e produzir imagens de força.
Esses atos ajudam a animar quem já está com o candidato. A pergunta continua sendo quanto conseguem conversar com quem ainda está fora desse grupo.
Flávio também deve visitar o pai nesta manhã, depois do fim da suspensão de 90 dias. Em seguida, tem agendas previstas em São Paulo com o MDB e representantes do setor produtivo.
A Nexus mostra pouco espaço para mudança de voto
Na pesquisa divulgada hoje, Flávio tem 48% das intenções de voto, e Lula, 45%. Nos votos válidos, são 52% a 48%. Flávio aparece numericamente à frente, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O dado que mais me chama atenção é outro: 92% dizem que já decidiram o voto.
Isso ajuda a entender a insistência das campanhas em mobilizar seus próprios eleitores. Convencer alguém a trocar de candidato parece difícil. Fazer quem já escolheu comparecer às urnas pode ser decisivo.
A expectativa de vitória também favorece Flávio: 59% acreditam que ele vencerá; 36% apostam em Lula. Expectativa não é voto, mas pode influenciar a disposição dos apoiadores. Quem acha que perdeu pode desanimar. Quem acha que ganhou pode considerar sua presença dispensável.
A Nexus ouviu 2.002 pessoas por telefone, entre 10 e 12 de outubro.
A oposição mudou o cálculo sobre 6×1, pauta do presidente Lula
Segundo a CNN, a direita deve apoiar a proposta que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e prevê dois dias de descanso remunerado.
Até a semana passada, a estratégia era adiar a votação ou alterar o texto para fazê-lo voltar à Câmara. Agora, interlocutores de Flávio temem que um voto contrário seja apresentado como uma posição contra os trabalhadores.
A pressão eleitoral pode produzir uma votação que não aconteceria da mesma forma em outro momento. Cabe acompanhar se essa mudança será confirmada nos votos e quais argumentos os senadores apresentarão.
A proposta precisa de pelo menos 49 votos em cada um dos dois turnos. Se o Senado modificar o texto, ele volta à Câmara. Se mantiver a redação, poderá seguir para promulgação.
Lula anuncia crédito a menos de duas semanas da eleição
O presidente deve apresentar hoje novas linhas de crédito e medidas para reduzir dívidas de empreendedores. Segundo a CNN, estão previstos decretos e um projeto de lei complementar.
Lula também deve defender o aumento do limite anual de faturamento do MEI, de R$ 81 mil para R$ 130 mil, com possibilidade de contratar até dois empregados. Essa proposta já passou pelo Senado e ainda depende da Câmara.
Empreendedores precisam de crédito e de condições para trabalhar. Também precisam saber quais medidas estão prontas, quais dependem do Congresso e quanto custarão. Anunciar tudo perto da eleição aumenta a obrigação de explicar esses detalhes.
A PEC da Segurança volta à comissão
A CCJ do Senado votará amanhã, às 9h, os trechos pendentes da PEC da Segurança Pública. O texto-base já foi aprovado, mas três destaques ainda precisam ser analisados.
A proposta prevê maior integração entre União, estados e municípios, medidas contra facções, modernização das polícias, investimentos no sistema prisional e possibilidade de criação de polícias municipais.
Segurança ganhou mais espaço no discurso de Lula depois do primeiro turno. A tramitação permitirá ver o que o governo consegue transformar em decisão e o que continuará como promessa de campanha.
Hoje, a PF leva a Fachin informações sobre ministros
Andrei Rodrigues se reúne com o presidente do Supremo para entregar material do caso Master extraído dos celulares de Vorcaro e de Fabiano Zettel, seu cunhado.
Segundo a apuração, há referências a pelo menos seis ministros do STF, em graus diferentes. Familiares e integrantes do STJ também aparecem. Relatórios específicos dependerão de uma decisão do tribunal.
Depois de semanas de indefinição, quero acompanhar quais encaminhamentos serão dados. Conhecer a extensão do material é uma etapa. Decidir como apurá-lo é a seguinte.
Deputados do PT pediram investigação de Kassio
Rui Falcão e Rogério Correia apresentaram uma representação ao STF sobre suspeitas envolvendo o ministro e o Master.
O pedido reúne um julgamento de interesse da instituição, mensagens sobre possíveis pagamentos ao filho de Kassio, hospedagem, viagem em avião particular e a demora na análise do pedido de CPI.
Kassio nega ter recebido dinheiro de Vorcaro ou autorizado terceiros a falar em seu nome. Seu filho, Kevin, nega ter trabalhado para o Master. Os registros citados não comprovam que os pagamentos mencionados tenham sido realizados.
O pedido chega quando o PT contesta a atuação de Kassio na eleição. Esse contexto político merece ser observado. As suspeitas apresentadas precisam ser examinadas pelo conteúdo e pelas provas.
Uma refugiada que não tinha para onde voltar
A reportagem do UOL sobre a rede de prostituição financiada por Vorcaro traz mensagens sobre uma jovem ucraniana de 19 anos. Ela não podia voltar à cidade onde morava por causa dos bombardeios.
Segundo o jornal, Vorcaro investia no negócio, selecionava mulheres e determinava pagamentos. A PF investiga a atuação dos agenciadores e possíveis ilegalidades.
O relato sobre essa jovem me chamou atenção pela vulnerabilidade. Uma pessoa que foge de uma guerra e não tem para onde voltar está numa condição que exige proteção. As mensagens precisam ser investigadas também por aquilo que revelam sobre o tratamento dado a essas mulheres.
Gustavo já havia relatado violência policial
A família de Gustavo Munis afirma que ele sofreu agressões em abordagens anteriores em Moema. Segundo a advogada, os parentes acreditam que o jovem era tratado como suspeito por ser negro.
Gustavo tinha 20 anos. Quatro policiais fizeram 45 disparos. Disseram ter confundido seu celular com uma arma.
Quase 60 horas depois da morte, a Polícia Civil ainda não havia recebido a íntegra das gravações das câmeras corporais, segundo o g1. Os quatro agentes foram afastados.
Esse caso precisa continuar sendo cobrado. O volume de notícias da eleição não pode fazer uma morte assim desaparecer do debate — especialmente quando segurança pública ocupa tanto espaço nas promessas dos candidatos.
O Amazonas registrou 540 focos em dois dias
Foram 540 novos focos de incêndio em 48 horas. Para comparação, em todo outubro do ano passado o estado registrou 874.
João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente, relaciona o fogo em áreas preservadas à ação intencional para preparar o desmatamento. A fumaça provocou alerta de risco à saúde e emergência em 36 municípios.
Os números dão a dimensão da velocidade do problema. A resposta precisa alcançar tanto o combate ao fogo quanto a investigação de quem o provoca.
O imposto seletivo será discutido hoje, mas as alíquotas ficam para depois
A Fazenda reúne representantes dos setores afetados pelo tributo, criado pela reforma tributária e previsto para entrar em vigor em 2027.
Ele incide sobre produtos como bebidas alcoólicas e açucaradas, cigarros, veículos e minerais. O governo pretende apresentar as alíquotas somente depois do segundo turno. O Orçamento do próximo ano prevê R$ 41,9 bilhões de arrecadação.
O eleitor vai votar antes de conhecer essas taxas. É mais uma decisão econômica importante que ficará para depois da eleição.
O papa será internado
Leão XIV será internado hoje para retirar um nódulo no pulmão, identificado, segundo ele, em estágio inicial.
A previsão é de uma semana de recuperação no hospital. As audiências foram canceladas até 20 de outubro, e o pontífice deverá continuar governando a Igreja durante a internação. Não foi informado se o nódulo é benigno ou maligno.
Por hoje, é isso. Quero acompanhar as propostas e cobrar as decisões sem deixar que a campanha determine tudo o que merece nossa atenção. O país tem problemas que continuam acontecendo enquanto discutimos quem vai governá-lo.
Até amanhã,
Joana